João e Maria

18.11.15


João não era o cara mais bonito que Maria conhecia, mas ele tinha lá seu charme. No entanto João era quase uma copia perfeita de Maria. Ambos possuíam a mesma vontade de viver. O mesmo espírito aventureiro. Adoravam a ideia de mochilar mundo a fora conhecendo novas pessoas e culturas - Dia desses eles até se escreveram numa dessas redes mundiais de hospedagem, tamanha era a vontade desses dois. Eles também tinham o mesmo bom gosto musical, adoravam músicas alternativas, reggae, rock e MPB. Ele tinha uma tendência mais pro rock pesado e ela era mais bossa nossa, mas gostavam igualmente do Rappa. Aliás, reggae era a trilha sonora que embalavam as noites e manhãs de sexos entre eles que, diga-se de passagem, ambos tinham uma libido insaciável
. Vai ver que era por eles serem do mesmo signo. Seriam do mesmo ano também, se João não tivesse nascido um ano antes. Pra saciar a fome e recuperar as energias entre uma transa e outra, pizza e vinho era unanimidade sempre. Quando não estavam transando João e Maria estava assistindo filmes ou seriados, era tipo a melhor coisa que eles faziam juntos, depois do sexo é claro. E entre uma pipoca com cerveja e outra, João e Maria adoravam conversar sobre tudo, seus sonhos, fantasias, desejos, angústias e fatos do cotidiano - Tenho a sutil impressão que Maria falava mais que João. Apesar de tanta sintonia, João e Maria nunca namoraram de fato. Eles se conheciam muito bem para quererem namorar um ao outro. João sabia que Maria não queria um amor, e que o amor que ela se dava já lhe bastava - pelo menos era o que ela dizia pra ele, apesar de ser pisciana, adorar filmes românticos e passar a maior parte do seu tempo lendo Lucão, Lacombe e Magiezi. Maria sabia que João ainda não tinha esquecido seu último grande amor, nem a menina que ele ficou mês passado. Como disse no inicio do texto João e Maria eram quase idênticos e esse quase, que falando assim até parece pouco, na verdade era uma enorme diferença. João sofria de um egoísmo enorme. Na verdade João não conhecia o amor. Pra ser sincera, João até conhecia, ele já amou uma vez, mas por não ser correspondido como desejava, preferiu imaginar que amor era coisas desses filmes que ele assistia com Maria. Maria era o oposto, possuía um amor enorme dentro dela. Ela era só amor.  Amava tudo. Amava todas as criaturas, inclusive João. Felizmente, não demorou muito e Maria percebeu o quão grande era o egoísmo, leia-se nível de filhaputagem, de João e resolveu deixá-lo ser feliz ao seu modo e com seu egoísmo. Maria se fortaleceu com essa história. Hoje ela não se deixa levar por tanta semelhança. Hoje ela procura a diferença, analisa cada uma delas e dar o seu devido peso. João?! Enterrou-se em seu egoísmo. Hoje colhe solitário os frutos que plantou. 



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