As Boezinhas Potiguares Que Você Deve Conhecer

16.3.17


Celina, Maria, Alzira, Zila, Nísia, Júlia

O Rio Grande do Norte possui em sua História uma Coletânea de MULHERES fortes que viveram a frente de seus tempos e contribuíram com a LUTA DOS DIREITO DE IGUALDADE ENTRE HOMENS E MULHERES. Foram pioneiras, não só no próprio Estado e no Brasil, mas na América Latina como um todo.

Apresentamos a você algumas das Boezinhas Potiguares que, se você ainda não conhece, vai ficar feliz em conhecer...

NÍSIA FLORESTA Brasileira Augusta (1810) (pseudônimo de Dionísia Gonçalves Pinto) nasceu na então Capitania Hereditária Paraíba, lugar onde hoje é a cidade que recebe seu nome, Nísia Floresta/RN.  Sendo a mais notável mulher que a História Potiguar registra, NÍSIA foi educadora, escritora e poetisa que escreveu bravamente artigos em jornais e livros abordando assuntos sobre feminismo em uma Época em que a imprensa brasileira estava dando seus primeiros passos. Foi percursora do feminismo no Brasil e na América Latina, não tendo nenhum registro anterior as suas publicações sobre o assunto. Escreveu séries sobre A Condição Feminina no jornal Espelho das Brasileiras, Recife-PE. Foi fundadora e diretora de Colégios para meninas no Rio grande do Sul e no Rio de Janeiro.

Nísia casou-se, teve uma filha e deixou uma Obra incrível e pioneira...

Direitos das Mulheres e Injustiça dos Homens (1832) - primeiro livro escrito por ela, e o primeiro no Brasil a tratar dos direitos das mulheres. Conselhos a Minha Filha (1842); Opúsculo Humanitário (1853) e A Mulher (1859).

Nísia Floresta faleceu na França em 1885. Em 1955 seus restos mortais foram levados para sua cidade natal e se encontro num tumulo no sitio Floresta, local onde Nísia nasceu.

JÚLIA ALVES BARBOSA (1898) foi uma grande potiguar que lutou pelos direitos das mulheres. Fundou a Associação de Eleitoras Norte-rio-grandense, foi membro da Federação Brasileira Pelo Progresso Feminino e foi a segunda eleitora do nosso Estado. Seria a primeira, se não fosse o machismo de uma sociedade patriarcal e opressora. Júlia foi a primeira mulher a requisitar o alistamento eleitoral em 1927, mas teve seu pedido negado pelo juiz. Júlia era solteira, condição que não rendia credibilidade na época.

Porém Júlia não parou sua luta e em 1928 foi a primeira Vereadora da capital potiguar. Também foi a primeira mulher a lecionar Matemática na Escola Normal do Estado.


CELINA GUIMARÃES (1890) fez História sendo a primeira mulher a conquistar o direito de votar. Antes de Celina, algumas mulheres já tinha dado entrada no pedido de voto, mas todos negados. Celina foi a primeira que teve o parecer favorável.  Em 25 de novembro de 1927, Celina deu entrada em uma petição requerendo sua inclusão na lista de eleitores e recebeu do juiz um parecer favorável e teve seu nome incluso na lista dos Eleitores da cidade de Mossoró/RN, tornando a primeira mulher a conquistar o direito do voto no Brasil e na América Latina. Após receber o parecer, Celina fez um apelo ao presidente do Senado Federal para que todas as mulheres tivessem o mesmo direito. Porém, isso só foi possível em 1932.

O documento original despachado pelo juiz Israel Ferreira Nunes, com o parecer favorável a Celina Guimarães se encontra no Museu Histórico Lauro da Escóssia, Mossoró/RN.

Celina era educadora e bastante reconhecida na área da educação. Entrou no Livro de Honra da Instrução Pública em reconhecimento aos bons serviços prestados ao Estado decorrentes de suas praticas pedagógicas. Celina sempre tentou trazer praticas que estimulassem os alunos, ela traduziu do inglês para o português o manual de futebol, que na época ainda não era um esporte popular, e ensinou para seus alunos. Sendo assim, uma das primeiras pessoas a divulgar o futebol na cidade de Mossoró.


ALZIRA SORIANO (1897) conseguiu, em 1928, um feito, que para a época era impossível, tornou-se a primeira mulher, do Brasil e da América Latina, a comandar uma cidade. As mulheres, só conseguiram de fato, ter direito ao voto com o Código Eleitoral de 1932, e antes disso Alzira ganhou o pleito eleitoral da cidade de Jardim de Angicos/RN, com 60% dos votos. O feito foi tamanho que Alzira levou o nome do Rio Grande do Norte para os tabloides internacionais. O The New York Times publicou uma matéria sobre o assunto.

Infelizmente, Alzira só exerceu o cargo de prefeita por apenas um ano. Mas nunca fugiu da luta, mais tarde voltou para eleições, e foi vereadora por três mandados.




ZILA MAMEDE (1928) paraibana de nascença, mas potiguar de coração e de sangue provenientes de seu pai e seu avô materno naturais do Seridó. Aos cinco anos de idade veio morar no interior do RN e adotou as terras potiguares como sua morada onde cresceu e desenvolveu seus trabalhos. Zila foi uma importante poetisa e bibliotecária. Começou a escrever aos 21 anos, formou-se em biblioteconomia no Rio de Janeiro e fez especialização nos Estados Unidos. Uns dos seus grandes legados foi a restauração da Biblioteca Central da UFRN, que hoje recebe seu nome, e da Biblioteca Estadual Câmara Cascudo. Tornou-se referencia no meio da biblioteconomia, foi membro do Conselho Federal de Biblioteconomia e trabalhou no Instituto Nacional do Livro, em Brasília. Publicou pesquisas bibliográficas sobre Luiz da Câmara Cascudo e João Cabral de Melo Neto. 


Escrevia poesias sobre suas paixões, sobre o sertão nordestino e sobre o mar, que ela tanto amou e se eternizou nele em 1985 enquanto se banhava nas águas da Praia dos Artistas, Natal/RN. Suas principais obras na poesia foram: Rosa de Pedra (1953); Salinas (1958); O Arado (1959); Exercício da Palavra (1975); Navegos (1978); A Herança (1984).

Rosa de Pedra (1953) foi considerada por Manuel Bandeira como um dos melhores livros de versos brasileiros. Salinas (1958) recebeu o prêmio Vânia Souto Carvalho,  Recife.
Na Praia dos Artistas, próximo ao Cais 43, tem uma lápide marcando o local exato que Zila se eternizou. Na lápide tem um trecho do poema ELEGIA:

Meus mares de navegar
 Levai-me de desertos
Deitai-me nas ondas mansas
Jogai meu corpo no mar.

 


MARIA BOA (1920) (minha preferida <3) Assim como Zila, nasceu na Paraíba, mas fez sua história em terras potiguares e por isso merece está nessa publicação. Maria Oliveira de Barros foi a primeira Dama Diva de Natal, ela fundou uma casa noturna bem na época em que a capital potiguar estava tomada pelo exercito norte americano no auge da Segunda Guerra Mundial e sexo era um tabu maior do que é nos dias atuais.

Maria Boa, apesar de boa e linda, foi uma mortal e estava sujeita a todas as coisas que nós estamos sujeitas. Ela teve uma grande decepção amorosa, mas diferente da maioria dos mortais, Maria Boa resolveu fazer algo diferente, nada de choro ou lamentações. Maria quis dar amor, mas não foi correspondida, então ela começou a cobrar por isso. Depois de algum tempo, ela juntou dinheiro e abriu sua própria casa noturna. Que não era uma casa qualquer, era a Casa mais respeitada da Cidade do Sol. Conhecida por ter mulheres bonitas, boa música e os melhores drinks da cidade, a Casa de Maria Boa era o principal ponto turístico da época. Era parada obrigatória para quem passasse por Natal.

Maria Boa conseguiu ganhar o respeito e a admiração de todos. Tornou-se muito querida entre os oficiais do exercito norte-americano e ganhou até homenagem tendo seu nome estampado no avião B-25. Maria Boa também foi eternizada no filme For All – O Trampolim da Vitória onde passa cenas sobre sua Casa. E a personagem principal recebeu seu nome.


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Avião B-25 com homenagem a Maria Boa
A Casa de Maria Boa funcionou até pouco antes de sua morte em 1997. Quem a conheceu, guarda até hoje boas lembrança e ótimas historias para contar. Após a morte de Maria Boa, vários jornais publicaram declarações de admiração de seus amigos. Hoje o que resta são as lembranças e a certeza que Maria foi uma grande Mulher, que soube impor seu respeito mesmo sendo uma Diva proprietária de uma casa noturna, por que o que faz cada pessoa ser admirável não é a profissão que ela exerce, mas a maneira como ela conduz a vida e respeita o próximo.

Infelizmente, a tão famosa Casa de Maria Boa, agora só esta presente na memoria de quem a frequentava e em algumas fotografias. Hoje o local é apenas um terreno baldio localizado na Cidade Alta, próximo ao Viaduto do Baldo, Natal-RN. 

Maria Boa foi tão boa que tinha que ser homenageada em uma cachaça. A cachaça Maria Boa é boa de verdade, e eu garanto. Foi a primeira cachaça que bebi, ainda na época da universidade. Ela é produzida em Goianinha e tem preço acessível, custa em média uns R$ 20,00.


Nota: Obrigada a Nilo Canuto, boe magia da residencia universitária biomédica UFRN, por mim lembrar o poema na lápide da Zila Mamede.


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